GNL, solução para renovar a linha ferroviária do Oeste

por Duarte Nuno e Jorge Figueiredo [*]

 

Há muito os municípios da Região Oeste reivindicam a renovação da linha ferroviária, a qual vai desde Agualva-Cacém até Figueira da Foz. Trata-se de uma linha antiga, de via única e que nunca foi electrificada. Ela merece realmente uma renovação. Para isso não é preciso adoptar a solução extremamente dispendiosa que muitos propõem: a da sua electrificação. Existe uma solução melhor e mais barata. Esta solução é dotar a ferrovia de locomotivas a gás natural liquefeito (GNL).

A solução do GNL apresenta mais vantagens que qualquer outra alternativa pois é sustentável tanto na óptica económica como ambiental. Aqui estão algumas delas:
A adopção de locomotivas GNL corta drasticamente enormes custos de investimento com a instalação de catenárias ao longo de mais 200 quilómetros;
Elimina os custos de exploração permanentes com a manutenção das catenárias;
Não apresenta as perdas, inerentes a linhas electrificadas, provocadas pela dissipação da energia.

Por outro lado, mediante uma pequena alteração do traçado seria possível alcançar o objectivo mais ambicioso de efectuar um interface de ligação entre a Linha do Oeste e o Metro de Lisboa. Actualmente os passageiros desembarcados no Cacém têm de tomar outros meios de transporte para terem acesso ao Metro lisboeta. A instalação deste interface significaria uma redução substancial de tempo para os munícipes da Região Oeste que têm de se deslocar a Lisboa.

Este benefício adicional pode ser alcançado mediante a construção de um trecho de apenas 15 km entre o apeadeiro da Pedra Furada/Mafra e a futura estação do Metro de Stº António dos Cavaleiros/Hospital de Loures. Isto permitiria suprimir os actuais cerca 35 km entre a Pedra Furada e o acesso à rede do Metro de Lisboa, o qual exige transbordo no Cacém. Além disso, o custo de instalação deste trecho de 15 km seria baixo uma vez que o seu traçado seguiria por uma região não povoada e num terreno relativamente plano a meia encosta (ver imagem).

tracadooeste

Um projecto desta natureza é vantajoso também do ponto de vista empresarial, tanto na óptica da CP como da REFER:

Na óptica da CP, a aquisição de locomotivas GNL permitirá uma redução do custo da energia consumida e não exigirá qualquer investimento no posto de abastecimento de GNL pois este custo fica a cargo do comercializador do gás. E, melhor ainda, a CP ainda poderia obter um rendimento extra através do arrendamento do espaço utilizado pelo posto de abastecimento das locomotivas, o qual poderia também servir a viaturas particulares. Por outro lado, a CP beneficiar-se-ia com a flexibilidade das locomotivas GNL pois estas poderiam circular em toda a rede ferroviária nacional, esteja ela electrificada ou não.

Na óptica da REFER, o investimento no trecho Pedro Furada – Hospital de Loures seria pequeno devido às características já apontadas do terreno. O custo de construção do interface junto ao Hospital de Loures poderia provavelmente ser comparticipado pelo Metro de Lisboa.

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Actualmente a tecnologia das locomotivas GNL é amplamente adoptada no mundo todo pelos mais diversos países. Nos Estados Unidos é adoptada pela Florida East Coast Railway; pela Union Pacific e pela Burlington Northern Santa Fe Railway; no Canadá, pela CN e Westport; na Espanha a RENFE e Fenosa já fazem testes; na Indonésia, a Pertamina e a companhia ferroviária KAI já começaram a operar com GNL; na Rússia, a GAZPROM e a Russian Railways desde 2013 operam comboios a GNL com locomotivas de turbina na região de Sverdlovsk; na Índia, a Indian Railways e a GAIL já decidiram reduzir a utilização do gasóleo e aumentar a eficiência energética, inclusive com conversões de locomotivas diesel-eléctricas; no Peru, como ainda não dispõe de GNL, a Ferrocarril Central Andina por enquanto opera com locomotivas a GNC; no Brasil, a empresa mineradora Vale trata de converter a sua frota para locomotivas a GNL.

Assim, estando Portugal na região do mundo com a maior disponibilidade de GNL – a Península Ibérica, com sete portos metaneiros – parece estranho que não aproveite esta imensa vantagem no seu sistema de transporte ferroviário.

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[*] Presidente da Assembleia-Geral e Vice-presidente da APVGN, respectivamente.

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